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A Inglaterra é o país dos carros com volantes do lado direito e sentido das ruas invertido em relação ao nosso. Mas apesar de algum estranhamento inicial, andar pelas ruas de quatro cidades inglesas se revelou mais fácil do que geralmente é no Brasil. Pedestres, ciclistas, carros particulares, táxis e transporte público convivem bem em cenários urbanos diversos. O que podemos aprender com isso?

No final de 2014, em plena agitação de Natal e final de ano, conheci quatro cidade inglesas: Liverpool, Chester, Manchester e Londres. Cada qual com dinâmicas e realidades urbanas muito próprias, mas com paralelos possíveis com cidades do Brasil. 

Liverpool

Apesar de pequena para os padrões brasileiros (447.500 habitantes), Liverpool é uma cidade bastante dinâmica em termos de economia cultural e turística e principal centro urbano do condado de Merseyside (pouco mais de 1 milhão de habitantes) - um perfil urbano que me lembra Porto Alegre em alguns aspectos.

Grande parte do centro da cidade foi transformado em calçadões com galerias e lojas de ruas, desde pequenas lojas a grandes redes como Zara, Primark e outras. A parte central é de um agito só comparável a Londres, sendo tomada de turistas e ingleses fazendo compras de natal e frequentando bancas de comida de rua, em especial de temática natalina, obviamente em função dessa época do ano. 

Há muitos ônibus e táxis, mas é possível percorrer toda a cidade a pé com facilidade e segurança. Seja no entorno do centro onde há mais trânsito no fim da tarde, seja nos bairros ou em áreas mais afastadas que permitem maior velocidade. Em Stanley Docks, área portuária ainda em atividade, carros transitam em velocidade considerável - mas param imediatamente quando o pedestre pisa na faixa - o que eu achava quase inacreditável. No Brasil só vi algo parecido em Brasília.   

Ônibus e bicicletário em calçadão no centro de Liverpool.Ciclovia no campus da Universidade de Liverpool.Placa em Liverpool avisando que a parada de ônibus está desativada.Congestionamento em frente à estação Lime Street em Liverpool.

Chester

Chester é uma pequena cidade (77 mil habitantes) de grande importância histórica. Romanos, saxões e normandos passaram por ela, construíndo, destruíndo e construíndo de novo...fazendo da cidade uma combinação um tanto amontoada de jardins romanos, muralhas medievais e casas em enxaimel, algumas originais, outras imitações feitas no século XIX. 

A cidade parece uma combinação de centro histórico com subúrbio de classe média alta. Vi muitos carros bons em Chester, muitos circulando, mas a maioria estacionados junto à áreas restritas a pedestres e ciclistas. Talvez nos ajudasse a pensar as cidades históricas mineiras ou cidades com centros históricos ainda não descaraterizados e que deveriam ser protegidos do trânsito intenso.


Sinalização turística e aviso para ciclistas em Chester.Passagem para pedestres antiderrapante em frente à ponte das muralhas de Chester.Bicicletas e sinalização de restrição para carros junto a canal em Chester.Painel indicando trajetos e pontos turísticos de Chester.

Manchester

Grande centro têxtil da revolução industrial, ainda hoje Manchester é uma cidade de negócios. Apesar da cidade em si não ser tão populosa (440 mil), a região da Grande Manchester envolve uma população de 3 milhões de habitantes. Fora o clima, ainda mais frio por conta dos canais, suas dimensões e perfil urbano me fazem pensar em Curitiba e Belo Horizonte. Se vê muitos carros, mas os pedestres transitam facilmente apesar de várias obras em algumas ruas. O transporte público inclui além de ônibus, pequenos trens de superfície.

Sinalização indicando pontos turísticos e serviços públicos de Manchester.Trem urbano de superficie em Manchester.Trem urbano e proteção para pedestres em ruas com obras no centro de Manchester.Bicicletário em frente a estação de trem em Manchester.
 

Londres

Embora menor que São Paulo ou Nova York, Londres (com 8 milhões de habitantes) ainda assim é um centro complexo, com vários setores com perfis urbanos, economicos e culturais muito diversos. Os deslocamentos entre as regiões da cidade requerem algum planejamento. Quem mora lá adota um humor tenso, focado no tempo que se dispõe, e automatiza seus deslocamentos usuais, o que é normal nas grandes cidades. Quem não mora na cidade é ajudado por uma ampla oferta de sinalização urbana, mas ainda assim é inevitável se perder em algumas estações do metrô. 

Ciclista cruza a Oxford Street em frente à loja matriz da Selfridges.Saída da estação de metrô na agitada Oxford Street.Ônibus com painel eletrônico indicando paradas.Parada de ônibus e sinalização no distrito de Camden, em Londres.

Viajando entre cidades

Cheguei à Inglaterra através do aeroporto de Manchester e então fui para Liverpool de trem. O trem interurbano que me pareceu até um tanto lento e um pouco sujo. Mas a possibilidade de sair do aeroporto em segurança, com facilidade para deslocar bagagens e protegido do clima foi ótima. No Brasil fazemos questão de deixar trens e metrôs longe dos aeroportos, uma falta de visão que obrigou a gambiarras como monotrilhos em Porto Alegre e São Paulo. 

 www.rome2rio.com/pt/s/Manchester-Airport-MAN/Liverpool

De Liverpool fui a Chester em 40 minutos. O trem que passa por um túnel subterrâneo por baixo do rio Mersey, da mesma forma que trafegam os carros entre os dois lados do rio. 

www.rome2rio.com/pt/s/Liverpool/Chester

Depois fui de Manchester para Londres em um trem de alta velocidade. Apesar do preço assustar, era a melhor opção para quem está com bagagem, prefere liberdade de horário, conforto e quer ver um pouco da paisagem do país (embora isso talvez seja melhor em outra época do ano...). Mas há opções de compra antecipada com desconto e cartões para quem usa os trens com regularidade. 

www.rome2rio.com/pt/s/Manchester/Londres

Tudo isso é possível graças a projetos consistentes de sinalização de trânsito e também de uma cultura de trânsito - o que só se consegue com uma política educacional e, claro, multas consideráveis.  

Links interessantes sobre mobilidade na Inglaterra:

A revolução dos smartphones – e por que ela é importante na mobilidade urbana

thecityfixbrasil.com/2014/10/07/a-revolucao-dos-smartphones-e-porque-ela-e-importante-na-mobilidade-urbana/

Informações (em português) sobre como se deslocar no Reino Unido

www.educationuk.org/brasil/articles/travel-in-the-uk/

Informações sobre transporte em Londres

www.tfl.gov.uk/

Simulação deslocamento de três rotas de deslocamento de bicicleta em Londres

Orientações para ciclistas do Highway Code, o código de trânsito britânico:

www.gov.uk/rules-for-cyclists-59-to-82